Manobra política tenta melhorar imagem afetada pela gestão da crise sanitária.

Brad Parscale, então diretor de campanha de Trump, fala com a imprensa durante evento em Des Moines, Iowa, em fevereiro de 2020 Carlo Allegri/Reuters/Arquivo O presidente americano Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (15) Bill Stepien como seu novo diretor de campanha, quatro meses antes das eleições presidenciais no país.

Stepien atuava como adjunto ao lado de Brad Parscale, que foi demitido. Esta é uma nova manobra política do chefe de Estado americano para tentar melhorar sua imagem, afetada pela gestão da crise sanitária e os ataques contra o célebre imunologista Anthony Fauci, diretor do Instituto de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. O presidente americano anunciou a novidade nas redes sociais  e também disse que Parscale continuará responsável pela estratégia digital.

Trump tenta, desta maneira, conquistar seu eleitorado às vésperas do pleito, que acontece em 3 de novembro. Dados de coronavírus nos EUA serão enviados para governo Trump, e não mais para CDC No Twitter, ele também divulgou que as pesquisas em relação às vacinas estão avançando rapidamente.

A realidade, entretanto é que a epidemia está fora de controle no país e, concretamente, uma imunização eficaz contra a Covid-19 ainda pode levar tempo. O democrata Joe Biden, que é o favorito nas pesquisas, denunciou o fracasso da gestão de Trump na crise da Covid-19.

Na última terça-feira (14), ele divulgou pela primeira vez um clipe de campanha no Texas, Estado americano que não apoia um candidato democrata em uma eleição presidencial desde 1976. "A alta do número de casos do coronavírus provoca medo e apreensão", diz o ex-vice-presidente na propaganda eleitoral.

Biden tem nove pontos percentuais de vantagem em relação a Trump nas pesquisas realizadas pelo site RealClearPolitics.

O candidato também está na liderança em cinco estados: Arizona, Flórida, Carolina do Norte, Pensilvânia e Wisconsin. John Biden e Donald Trump diputam eleição presidencial nos EUA em novembro AP/Arquivo EUA são o país com maior número de vítimas Dezenas de milhares de casos são relatados todos os dias nos Estados Unidos, o país com o maior número de mortes no mundo.

No total, 136 mil pessoas morreram vítimas do coronavírus. Governadores que haviam encerrado o confinamento estão recuando e impondo novas restrições. De acordo com modelos estatísticos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), em agosto o número total de mortes nos Estados Unidos pode superar 150 mil. Os pesquisadores alertam, no entanto, que o uso massivo de máscaras poder salvar 40.000 vidas até novembro.

Até a semana passada, Trump resistiu ao uso da máscara e chegou a ironizar seus adeptos. BLOG DA SANDRA COHEN: Uso de máscaras vira ato político nos EUA Epidemia de Covid-19 vai se agravar nos EUA, apontam modelos epidemiológicos Mas o uso da proteção facial prevalece no país.

O maior varejista do mundo, o Walmart, informou que exigirá que seus clientes usem máscaras em todas as lojas a partir de 20 de julho para ajudar a impedir a propagação do vírus. Com a decisão, o Walmart se une a um número crescente de empresas americanas que adotaram determinações semelhantes.

A rede possui mais de 5.300 lojas no país e cresce principalmente nos estados do oeste e do sul, onde a pandemia está atualmente mais avançada.