Três países violaram de forma rotineira embargo de armas desde 2011, segundo relatório confidencial de especialistas da ONU.

'Ambas as partes (envolvidas em conflito) receberam armas, equipamentos militares e suporte técnico', diz documento.

Ataque aéreo atinge região perto de tanque pertencente às forças leais ao Governo da Líbia do Acordo Nacional (GNA), durante confrontos no subúrbio de Wadi Rabie, a cerca de 30 km no sul da de Trípoli, em foto de abril de 2019 Mahmud Turkia / AFP Jordânia, Turquia e Emirados Árabes Unidos violaram de forma rotineira o embargo de armas da ONU imposto à Líbia desde 2011 - aponta um relatório confidencial de especialistas da ONU, ao qual a AFP teve acesso nesta quinta-feira (7). O documento afirma que estes países, "rotineiramente e às vezes abertamente, fornecem armas com pouco esforço para disfarçar a fonte". O relatório feito pelos responsáveis pelo monitoramento do cumprimento da medida abrange observações no período de um ano. Segundo diplomatas, a Jordânia treinou tropas do marechal Khalifa Haftar, o homem forte do leste da Líbia que lançou uma ofensiva militar em abril para capturar Trípoli.

Acredita-se que os Emirados Árabes Unidos, outro apoio do marechal, usaram aviões bombardeiros para beneficiar suas tropas.

A Turquia, que apoiou abertamente o governo do primeiro-ministro Fayez al Sarrakh, forneceu equipamentos militares, de veículos blindados a drones, segundo as mesmas fontes. "Ambas as partes receberam armas e equipamentos militares, suporte técnico ...

em violação ao embargo de armas", diz o relatório de especialistas da ONU entregue em 29 de outubro aos países membros do Conselho de Segurança.

O documento tem 85 páginas e inclui mais de 300 páginas de anexos: fotos, mapas, registros de carga entregues em navios e outros.

Os 15 membros do Conselho de Segurança do Comitê devem discutir no final do mês as sanções impostas à Líbia e aprovadas antes de serem tornadas públicas, provavelmente em dezembro.

"O grupo de especialistas identificou vários atos que ameaçam a segurança, a paz e a estabilidade na Líbia", disseram eles.

Desde o início da ofensiva do marechal Haftar, uma "nova fase de instabilidade, combinada com os interesses de vários estados e atores não estatais, ampliou o conflito de poder que se desenvolve desde 2011", acrescentaram. O documento destaca que "as operações militares têm estado dominadas pelo uso de munições guiadas de precisão a partir de veículos aéreos de combate não tripulados, o que até certo ponto tem limitado o dano colateral que normalmente se espera de tal conflito".

O uso de drones "tem sido elevado por ambas as partes", afirmou um diplomata, reforçando as acusações formuladas previamente pelo enviado da ONU para Líbia, Ghassan Salame.